quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Nascer de novo

Nascer de novo
Por Felipe Backes

Uma vez li em um livro que a personalidade de uma pessoa se forma até os 10 anos de idade. Tudo que lhe ensinam e que acontece ao seu redor é absorvido.

Na minha família todos são gremistas, inclusive meu pai, e por isso eu sou gremista. Mas o amor por um clube não pode depender de uma hereditariedade, é um sentimento, mas aos nove anos minhas coversas sobre futebol se resumiam a discussões com amigos sobre quem era melhor e pior e não fazia a mínima idéia de realmente como isso era importante.

Era maio de 2002. Uma quinta-feira fria. Saímos ao cair do sol. O jogo era Grêmio e River Plate. A situação do grêmio era tranqüila, bastava apenas um empate para passar á semifinal da Libertadores. Eu estava ansioso, mas sem grandes expectativas. Chegamos. Havia muita gente. Nós já tínhamos ingressos então logo entramos. O primeiro olhar no gramado e uma surpresa. Era imenso. Lindo. Fomos nas sociais. E então começa o jogo. Eu não era alto e me esforçava para ver os gols. E belos gols. Rodrigo Mendes, Luizão, e Zinho. Ah, e fechando a goleada Luís Mário, na frente de onde eu olhava o jogo, de carrinho. Parecia a nossa pelada de escola, 2 vira, 4 ganha. Mais tarde viria a perceber
que nenhum jogo era fácil. Mas sai de lá satisfeito. No dia seguinte na escola, tentava explicar aos colegas como havia sido o jogo e como havia ficado impressionado, mas me fugiam as palavras. Talvez fosse indescritível. Estar lá e sentir de perto o amor da torcida me fez mudar, foi como nascer de novo.

E nos dias que se sucederam, pude perceber como o Grêmio havia tomado parte em minha vida. Hoje o Grêmio é para mim exatamente o que eu queria que ele fosse, um clube diferenciado, com estilo de jogo aguerrido, e o Olímpico, um porto seguro onde posso levar o meu alento sabendo que mesmo se o resultado não vier não haverá vaias, porque sua torcida, ah Grêmio, sua torcida...

Algumas pessoas diriam que hoje sou gremista pois meu pai era gremista. Ou porque ele me influenciou quando eu ainda não tinha minha personalidade formada. Mas não. Não importa a sua idade, dez, trinta ou sessenta anos, porque o sentimento que acompanha esse clube em sua trajetória é imenso. Vá ao Olímpico e veja nos olhos de cada torcedor, é uma espécie de orgulho misturado com satisfação, é um sentimento que faz amar.
E como diz uma música do Jota Quest:

A tua voz dizendo amorFoi tão bonito que o tempo até parouDe duas vidas, uma se fez
Eu me sentiNascendo outra vez.

Espero que eu tenha conseguido espor a imensidão do sentimento que é ser gremista.

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